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Salvador, Bahia, Brazil
Jornalista, graduada pela Universidade Federal da Bahia.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Febre de Bola


Há pouco mais de um ano, a Pampulha Engenharia vem apostando em ações sociais. Neste semestre, o projeto desenvolvido deu-se através da inclusão de crianças entre cinco e 11 anos pela via do esporte. A ação aconteceu no município de Lustosa, a poucos quilômetros da capital baiana. A idéia do diretor comercial da empresa, Oldgard Freitas, foi organizar grupos de jogadores de futebol infanto-juvenis e apresentá-los aos maiores clubes do estado. Deu certo. Três dos garotos foram admitidos nas divisões de base do Bahia e do Vitória. Para um deles, em especial, o ingresso no time Dente de Leite do Esporte Clube Vitória teve um sabor especial.

Na tarde do sábado, 17 de novembro, o estudante de 11 anos Miler Souza era mais um torcedor a presenciar a subida à primeira divisão do Leão, como também é conhecido o time do Vitória. Mais um, porém em posição de destaque: o pequeno meia-direita teve a honra de entrar em campo, juntamente com os outros colegas de time, para homenagear os heróis do retorno à Série A: “Foi muita emoção!”, resumiu o menino a respeito da experiência.

Miler esteve frente a frente, por duas horas, com a imagem que sonha para si, no futuro: a do bem-sucedido jogador do campeonato profissional adulto. Os craques dos gramados têm sido uma inspiração e tanto na luta por um lugar ao sol nesta carreira. No momento, quem ocupa o posto máximo de ídolo é um jogador do rubro-negro, o meia-armador Marco Antônio. O garoto ficou impressionado com a atenção que o atleta dispensou a ele e seus colegas, num dia de palestras para os garotos da divisão de base, ocorrido há poucas semanas.

O futebol entrou tão cedo na vida desse baianinho, que nem consegue precisar quando. Miler conta que seu nome, por exemplo, foi inspirado no ex-jogador do São Paulo, Müller. Predestinação ou mera coincidência, o fato é que a bola tem delineado, até agora, o destino do pequeno.

Proveniente de uma família de poucos recursos, o mais velho dos três filhos de um pedreiro e de uma dona-de-casa começou a ver a sorte mudar a partir do projeto de futebol do Pampulha Cidadão, no município de Lustosa. Informado pelo pai, Miler, ou melhor, “Boquinha” - o apelido dele na família - fez o teste e ingressou no time infantil montado pela Pampulha. Nas partidas com os times equivalentes em idade do Bahia e do Vitória, o menino despertou a atenção de ambos, mas optou pelo time da Toca do Leão, no qual já havia feito testes alguns meses antes. “Quero seguir nesta profissão”, afirma, ainda meio vacilante, por estar ciente, apesar da pouca idade, de que passará por uma das peneiras mais exigentes do esporte.

(Pampulha Post, dezembro de 2007)
Foto: Oldgard Freitas

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