O Vídeo Show faz parte da programação global desde 1983. De lá pra cá, o programa tem se incumbido de revelar os bastidores das produções da emissora carioca, através de entrevistas com as estrelas da casa e da reprise dos melhores momentos da TV brasileira. Vários artistas já ficaram à frente da atração, até que, no final dos anos 80, o “multimídia” Miguel Falabella estabeleceu-se como seu apresentador fixo, fazendo uma dupla carismática com a atriz e repórter Cissa Guimarães. Durante este tempo, também não foram poucas as mudanças de dia e de horário da atração vespertina, seguidas com atenção por um público fiel, boa parte dele, inclusive, que cresceu com o programa.
A televisão sobrevive da curiosidade das pessoas pela intimidade alheia. O Vídeo Show, há mais de 20 anos, explora esse traço da personalidade da audiência, aproveitando-se disso para, ainda, humanizar e aproximar o público da emissora. O trabalho da atração é mostrar que artista é “gente como a gente” e portanto trabalha duro, erra e também tem seus momentos de descontração durante o trabalho.
Quadros como Por onde anda? e Túnel do Tempo se encarregavam de estabelecer um link afetivo entre a trajetória do veículo e a história de vida do público, em sessões nostálgicas de contato com programas clássicos, quase sempre telenovelas, e os artistas que fizeram a história do veículo. Ao recordar os “grandes momentos” da televisão, conferia-se, conseqüentemente, uma maior validação ao ato de assisti-la. Por trás dos momentos de flashback, havia uma espécie de discurso sobre o “orgulho de ser telespector”, que dizia algo assim à audiência: “A televisão não é apenas algo que nos entretém no presente mas que compõe a história de nossas vidas, de nossa sociedade”.
Duas décadas depois, o programa continua fazendo sucesso junto ao público e sendo exibido diariamente, de segunda a sábado. Seu apresentador e os repórteres já não são os mesmos, e nem assisti-lo também é. O Vídeo Show tornou-se o grande comercial da TV Globo, concentrando quase todo o seu esforço na divulgação daquilo que será exibido pela emissora logo mais à noite e deixando para trás o que fazia melhor: seu papel de arquivo histórico.
Até mesmo as descontraídas enquetes e entrevistas com os atores, diretores e escritores estão sendo direcionadas de forma a garantir a audiência das atrações do horário nobre da Rede Globo. Um exemplo dessa transformação ocorreu há alguns meses, quando a equipe foi visitar a então grávida Cláudia Raia. Sob o pretexto de presentear a atriz, a repórter Renata Simões fez um desfile de roupas de bebê-vampiro, aproveitando o gancho para divulgar a moda vamp lançada pela novela das 19h da época, O Beijo do Vampiro.
Mulheres Apaixonadas foi outra atração da casa que, recentemente, se beneficiou do programa. Com uma fraca média de audiência em seus primeiros meses de exibição, a novela de Manoel Carlos ganhou um significativo auxílio da equipe do Vídeo Show, que exaustivamente apresentava os bastidores das cenas que iriam ao ar no dia, promovia enquetes com a participação do elenco e discussões em seu site sobre temas abordados no folhetim, e isso sem mencionar as traduções das músicas estrangeiras da trilha sonora da novela.
A mudança do perfil da atração segue a nova concepção da vice-diretora da Globo, Marluce Dias, de explorar as telenovelas em grandes pacotes de produtos associados, como livros, dvds, acessórios e o que mais a criatividade do departamento de marketing permitir. Certamente uma das funções do Video Show é a divulgação da grade de programação da emissora, e este papel sempre existiu. A diferença é que, em seus melhores tempos, isto era feito de forma mais criativa, instrutiva e menos comercial.
O programa tem perdido nos últimos meses algo que o tornava fundamental para a TV brasileira: a manutenção da memória histórica do telespectador. O Vídeo Game, gincana de famosos apresentada por Angélica, tenta de alguma forma suprir essa função, mas sem muito êxito. Para um veículo caracterizado pela rapidez, pela fragmentação e pela perecividade como a televisão, poder contar com uma produção, em sua grade, que ajuda a firmar a sua importância social e histórica não é só conveniente mas essencial.
(Jornal da Mídia.Com, 2003)
A televisão sobrevive da curiosidade das pessoas pela intimidade alheia. O Vídeo Show, há mais de 20 anos, explora esse traço da personalidade da audiência, aproveitando-se disso para, ainda, humanizar e aproximar o público da emissora. O trabalho da atração é mostrar que artista é “gente como a gente” e portanto trabalha duro, erra e também tem seus momentos de descontração durante o trabalho.
Quadros como Por onde anda? e Túnel do Tempo se encarregavam de estabelecer um link afetivo entre a trajetória do veículo e a história de vida do público, em sessões nostálgicas de contato com programas clássicos, quase sempre telenovelas, e os artistas que fizeram a história do veículo. Ao recordar os “grandes momentos” da televisão, conferia-se, conseqüentemente, uma maior validação ao ato de assisti-la. Por trás dos momentos de flashback, havia uma espécie de discurso sobre o “orgulho de ser telespector”, que dizia algo assim à audiência: “A televisão não é apenas algo que nos entretém no presente mas que compõe a história de nossas vidas, de nossa sociedade”.
Duas décadas depois, o programa continua fazendo sucesso junto ao público e sendo exibido diariamente, de segunda a sábado. Seu apresentador e os repórteres já não são os mesmos, e nem assisti-lo também é. O Vídeo Show tornou-se o grande comercial da TV Globo, concentrando quase todo o seu esforço na divulgação daquilo que será exibido pela emissora logo mais à noite e deixando para trás o que fazia melhor: seu papel de arquivo histórico.
Até mesmo as descontraídas enquetes e entrevistas com os atores, diretores e escritores estão sendo direcionadas de forma a garantir a audiência das atrações do horário nobre da Rede Globo. Um exemplo dessa transformação ocorreu há alguns meses, quando a equipe foi visitar a então grávida Cláudia Raia. Sob o pretexto de presentear a atriz, a repórter Renata Simões fez um desfile de roupas de bebê-vampiro, aproveitando o gancho para divulgar a moda vamp lançada pela novela das 19h da época, O Beijo do Vampiro.
Mulheres Apaixonadas foi outra atração da casa que, recentemente, se beneficiou do programa. Com uma fraca média de audiência em seus primeiros meses de exibição, a novela de Manoel Carlos ganhou um significativo auxílio da equipe do Vídeo Show, que exaustivamente apresentava os bastidores das cenas que iriam ao ar no dia, promovia enquetes com a participação do elenco e discussões em seu site sobre temas abordados no folhetim, e isso sem mencionar as traduções das músicas estrangeiras da trilha sonora da novela.
A mudança do perfil da atração segue a nova concepção da vice-diretora da Globo, Marluce Dias, de explorar as telenovelas em grandes pacotes de produtos associados, como livros, dvds, acessórios e o que mais a criatividade do departamento de marketing permitir. Certamente uma das funções do Video Show é a divulgação da grade de programação da emissora, e este papel sempre existiu. A diferença é que, em seus melhores tempos, isto era feito de forma mais criativa, instrutiva e menos comercial.
O programa tem perdido nos últimos meses algo que o tornava fundamental para a TV brasileira: a manutenção da memória histórica do telespectador. O Vídeo Game, gincana de famosos apresentada por Angélica, tenta de alguma forma suprir essa função, mas sem muito êxito. Para um veículo caracterizado pela rapidez, pela fragmentação e pela perecividade como a televisão, poder contar com uma produção, em sua grade, que ajuda a firmar a sua importância social e histórica não é só conveniente mas essencial.
(Jornal da Mídia.Com, 2003)


