Quem perde o cônjuge é viúva ou viúvo. Quem perde os pais é órfão. Mas quem perde um filho ou uma filha, torna-se o quê? Não existe palavra na língua portuguesa capaz de classificar quem passa por esse tipo de drama, que foge à ordem comum da vida. Talvez, também, por isso seja tão difícil recuperar-se da perda de um filho: apesar da ausência, continua-se sendo visto, socialmente, como pai e mãe de quem não vive mais.
Há seis anos essa tragédia se abateu sobre a família da ex-professora de inglês, Simone Costa. O mais velho dos seus quatro filhos, Ricardo, à época com 22 anos, faleceu num acidente de carro.
A dor pela perda do primogênito até hoje não foi superada, mas não levou Simone ao isolamento, como acontece freqüentemente nesses casos. Pelo contrário. A tragédia estimulou-a a se tornar “mãe”, em dois turnos, de 62 crianças das redondezas do bairro do Bonfim. A “Creche e Orfanato Baby” é a sua razão de viver há quatro anos e, também, sua homenagem ao filho falecido.
As crianças permanecem no espaço das sete às 17 horas, estudando, pela manhã, e participando de atividades recreativas, à tarde. Os alunos da creche têm entre dois e seis anos de idade e são oriundos de famílias com dificuldades financeiras. Para uma parcela dessas crianças, as três refeições que Simone e sua pequena equipe de colaboradores oferecem são as únicas do dia. “Aqui, na creche, eles comem, aprendem e são bem cuidados. Eu não tenho idéia de como faria com o meu filho se não existisse esse lugar”, diz a mãe de um dos alunos, Conceição Santos.
Algumas dessas crianças, além de conviverem com a pobreza, também são provenientes de lares desajustados. Mesmo os menores do grupo já demonstram as marcas que a falta de estrutura familiar pode causar: “Eles chegam aqui rebeldes, agressivos com os coleguinhas, e, certamente, estão influenciados pelo que vêem em casa. Alguns são filhos de alcoólatras. Felizmente, com o tempo conseguimos reverter esse comportamento”, conta Simone Costa.
Mas só amor não enche barriga, como diz o ditado. A coordenadora da creche entristece-se diante da possibilidade de ter de fechá-la. O espaço é sustentado praticamente por Simone e suas quatro colaboradoras, além de algumas poucas doações que recebem, esporadicamente, de empresas. As dificuldades, com o passar dos meses, vêm aumentando. Além do malabarismo financeiro para continuar mantendo as crianças alimentadas e educadas, a casa onde funciona a creche já começa a dar os primeiros problemas físicos. O telhado, por exemplo, precisa de conserto.
Entretanto, essa é uma equipe que não guarda luto e vai à luta. Simone já conseguiu, com uma empresa de engenharia, o conserto do telhado. Nos próximos meses, a meta é ampliar a divulgação do projeto, através de folders e de um website, e atrair mais colaboradores para a causa.
(Pampulha Post, outubro de 2007, adaptado)
Há seis anos essa tragédia se abateu sobre a família da ex-professora de inglês, Simone Costa. O mais velho dos seus quatro filhos, Ricardo, à época com 22 anos, faleceu num acidente de carro.
A dor pela perda do primogênito até hoje não foi superada, mas não levou Simone ao isolamento, como acontece freqüentemente nesses casos. Pelo contrário. A tragédia estimulou-a a se tornar “mãe”, em dois turnos, de 62 crianças das redondezas do bairro do Bonfim. A “Creche e Orfanato Baby” é a sua razão de viver há quatro anos e, também, sua homenagem ao filho falecido.
As crianças permanecem no espaço das sete às 17 horas, estudando, pela manhã, e participando de atividades recreativas, à tarde. Os alunos da creche têm entre dois e seis anos de idade e são oriundos de famílias com dificuldades financeiras. Para uma parcela dessas crianças, as três refeições que Simone e sua pequena equipe de colaboradores oferecem são as únicas do dia. “Aqui, na creche, eles comem, aprendem e são bem cuidados. Eu não tenho idéia de como faria com o meu filho se não existisse esse lugar”, diz a mãe de um dos alunos, Conceição Santos.
Algumas dessas crianças, além de conviverem com a pobreza, também são provenientes de lares desajustados. Mesmo os menores do grupo já demonstram as marcas que a falta de estrutura familiar pode causar: “Eles chegam aqui rebeldes, agressivos com os coleguinhas, e, certamente, estão influenciados pelo que vêem em casa. Alguns são filhos de alcoólatras. Felizmente, com o tempo conseguimos reverter esse comportamento”, conta Simone Costa.
Mas só amor não enche barriga, como diz o ditado. A coordenadora da creche entristece-se diante da possibilidade de ter de fechá-la. O espaço é sustentado praticamente por Simone e suas quatro colaboradoras, além de algumas poucas doações que recebem, esporadicamente, de empresas. As dificuldades, com o passar dos meses, vêm aumentando. Além do malabarismo financeiro para continuar mantendo as crianças alimentadas e educadas, a casa onde funciona a creche já começa a dar os primeiros problemas físicos. O telhado, por exemplo, precisa de conserto.
Entretanto, essa é uma equipe que não guarda luto e vai à luta. Simone já conseguiu, com uma empresa de engenharia, o conserto do telhado. Nos próximos meses, a meta é ampliar a divulgação do projeto, através de folders e de um website, e atrair mais colaboradores para a causa.
(Pampulha Post, outubro de 2007, adaptado)



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